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Leo Busollo

Terapeuta Infantojuvenil

"Eu não sei mais o que fazer.”

  • Foto do escritor: Leo Busollo
    Leo Busollo
  • 1 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

Quando o desespero se torna um pedido de ajuda


"Eu não sei mais o que fazer."

Essa frase ecoa no consultório com uma mistura de angústia, culpa e esperança. Geralmente é dita por um pai ou uma mãe que já tentou de tudo conversar, punir, acolher, mudar de escola, pedir conselhos, e mesmo assim vê o filho afundando em tristeza, irritação, isolamento ou comportamentos desafiadores.


Depois de mais de uma década acompanhando famílias, aprendi que essa frase não é um sinal de fraqueza. É, na verdade, o primeiro passo para a transformação. É o reconhecimento de que algo precisa mudar e que essa mudança pode (e deve) começar com ajuda profissional.


Entendendo o que está acontecendo: o que é sofrimento emocional na infância e adolescência?


Muitas vezes, o que chamamos de “birra”, “rebeldia” ou “preguiça” é, na verdade, um sinal de sofrimento psicológico. Estudos mostram que problemas de saúde mental em crianças e adolescentes são muito mais comuns do que se imagina e, quando não tratados, podem se estender até a vida adulta (Bhide & Chakraborty, 2020).


Ansiedade, depressão, TDAH, dificuldades de comportamento e até sintomas físicos (como dores de cabeça e de estômago sem causa médica) podem ser manifestações de uma dor emocional que a criança ainda não consegue expressar com palavras.


Por que incluir os pais no processo terapêutico é essencial


Nos meus atendimentos, nunca trato o “filho isolado”. Trato a relação, o contexto, o sistema familiar. E a ciência confirma que essa abordagem é fundamental.


Pesquisas indicam que intervenções terapêuticas que incluem os pais, oferecendo apoio emocional e orientação parental, tendem a ter resultados mais duradouros e positivos. Um estudo comparando terapias individuais versus terapias acompanhadas de sessões com os pais mostrou melhoras significativas tanto nos sintomas das crianças quanto na capacidade dos pais de validar as emoções dos filhos (Miscioscia et al., 2018).


Outro trabalho apontou que terapia psicodinâmica breve com envolvimento familiar reduziu tanto problemas “internalizantes” (como ansiedade e tristeza) quanto “externalizantes” (como agressividade e impulsividade) em jovens (Gatta et al., 2019).


Isso acontece porque, muitas vezes, os pais também precisam de apoio para entender o que se passa e reorganizar a forma como se relacionam com o filho, sem culpa, mas com consciência.


O erro mais comum: terceirizar o problema


Com frequência, escuto algo como:

“Doutor, conserte meu filho.”


Mas terapia não é um conserto. E o filho não é um defeito. Quando se terceiriza o problema, ignora-se que a relação entre pais e filhos é o campo onde o sofrimento aparece, e é também onde ele pode ser curado.


O erro de alguns profissionais, inclusive experientes, é tratar apenas o sintoma do jovem sem olhar para o ambiente em que ele vive. Pesquisas recentes mostram que o apoio parental é um dos fatores mais decisivos para o sucesso terapêutico (Law et al., 2019)

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Na minha prática, busco sempre integrar os pais, não para culpá-los, mas para torná-los parte ativa da solução. Quando a família aprende a se comunicar melhor, o jovem se sente mais seguro para se abrir e cooperar com o processo.


Como eu trabalho — e o que me diferencia


Ao longo de 11 anos de atuação, desenvolvi um olhar que vai além da técnica.

Uso a ciência como base, mas entendo que cada família é única. Em muitos casos, combino abordagens psicodinâmicas (que exploram o mundo interno da criança) com estratégias de intervenção parental e psicoeducação (que ajudam os pais a agir com mais clareza e menos culpa).


Outro diferencial está no acompanhamento próximo: não apenas do paciente, mas do sistema familiar. Muitos colegas se concentram no atendimento individual e perdem a oportunidade de ajudar os pais a se tornarem aliados terapêuticos — o que, segundo estudos, potencializa o impacto da psicoterapia infantil (Palmer et al., 2013)

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O papel do terapeuta: uma ponte, não um juiz


Eu costumo dizer aos pais: “Meu papel não é apontar culpados, é construir pontes.”

Cada criança tem uma história, e cada comportamento tem um motivo. Quando os pais conseguem enxergar o que está por trás da raiva, do silêncio ou da desobediência, o tratamento começa a florescer.


O resultado? Pais mais seguros, filhos mais conectados, famílias mais saudáveis emocionalmente, e um caminho novo, possível.


Conclusão: pedir ajuda é um ato de amor


Se você, pai ou mãe, chegou ao ponto de dizer “Eu não sei mais o que fazer”, saiba que você não está sozinho, e que há saída. Buscar ajuda não é desistir do seu filho. É escolher acompanhá-lo com ferramentas novas, amparado pela ciência e pela empatia.


A boa notícia é que a psicoterapia infantil e o suporte familiar funcionam. Eles reconstroem vínculos, restauram a comunicação e ajudam crianças e adolescentes a voltarem a confiar no mundo, e em si mesmos.


Com carinho e respeito,

Leo – Terapeuta infantojuvenil


Referências:


Gatta, M. et al. (2019). Effectiveness of Brief Psychodynamic Therapy With Children and Adolescents. Frontiers in Pediatrics.


Miscioscia, M. et al. (2018). An integrated approach to child psychotherapy with co-parental support. Research in Psychotherapy.


Law, E. et al. (2019). Psychological interventions for parents of children and adolescents with chronic illness. Cochrane Database of Systematic Reviews.


Bhide, A. V. & Chakraborty, K. (2020). General Principles for Psychotherapeutic Interventions in Children and Adolescents. Indian Journal of Psychiatry.


Palmer, R. et al. (2013). The state of the evidence base for psychodynamic psychotherapy for children and adolescents. Child and Adolescent Psychiatric Clinics of North America.

 
 
 

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